Hoje não te trago poesia. Não tem estrutura nem palavras alinhadas; talvez, sim, um pouco de rima. Afinal, a música em mim vibra em euforia quando palavras viram melodia. Simplesmente não consigo evitar. É mais forte que eu.
Mais fortes que eu também são as palavras que carrego às custas da paixão. Palavras que ferozmente são lançadas num canhão de emoções latentes e que explodem quando descobrimos que a paixão se move em uma via de mão dupla. Elas fogem do controle, escapam da boca nas trocas de olhares mais sutis ou ao breve toque de nossos corpos. E também em momentos sem significado de uma rotina de trabalho, onde a memória grita o seu nome.
É como se todo o meu ser, guiado pela orquestração hormonal que compõe a droga que ofusca a razão, quisesse mostrar que te quero e que sou sua por completo.
Mas veja bem, meu bem, minhas palavras não são efêmeras, não são leves e não voam como penas. A paixão acende, mas é o amor que faz queimar. E eu? Sou calor, sou fogo consumidor. Não tem meio: ou aqueço ou apago. Ou brilha a chama de quem sou, ou nem aqui estou.
Minhas palavras não se vão junto com a paixão. O calor do meu amor transborda em verso, prosa e poesia por onde quer que eu vá. Eu não engulo palavras, não raciono declarações bobas de amor às 3 da tarde de uma terça qualquer. E cuido com afeto para que as palavras não me deixem, porque, quando elas se vão, fica um vão. E eu sou imensidão.
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