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sábado, 19 de setembro de 2026

Eu sigo!

Eu sei. Você sabe. Um talvez machuca.

O quase, então? O que dizer do quase?

O quase maltrata! É a pura ilusão do que poderia ter sido.

E a gente? Ahhh, meu bem… Eu planejei um mundo tão bonito!

Se você só pudesse fechar os olhos e ver,

você estaria aqui.

Juntos!

Que lá no fundo, eu sei, você queria também.

Mas não foi. Por quê?

Não sei. Sei que não foi por falta de tentar. Ah, como eu queria você aqui comigo.

Deitar coladinho? Pé juntinho. Beijinho nas costas ao acordar.

Mas você não quis. Por quê? Não sei  

Tentei? Muito!

Mas foi você que quis assim.

que me resta é seguir.

Sozinha? Ah, aí já não sei.

Com uma falta que atravessa o peito? Sim, sem dúvidas.

Porém, tudo já foi dito.

O caminho de volta? Sabes. Se tomarás? Aí já não é comigo.

Eu só sigo.


terça-feira, 8 de setembro de 2026

Força.


Eu estou cansada. Cansada de ser forte.

De ser muralha, fortaleza. De ouvir que me admiram por isso.

Sabe, eu só queria chorar no colo de alguém. Sentir que não preciso dar conta de tudo, sozinha, o tempo todo.

Parte da minha força é armadura. Fui forçada a colocá-la desde muito cedo.

Parte da minha força é silêncio. Dizer o que sentia era demonstrar ingratidão.

Parte da minha força é a dificuldade em aceitar ser cuidada, porque nunca tive, de fato, alguém que me priorizasse.

Parte da minha força vem do vazio, da ausência, da falta de cuidado que me faltou. Que me falta.

Mas não me leve a mal, não sei o que seria de mim sem ela. Eu sou essa força. É ela que me faz seguir.

Mas tem dias — não sempre — em que eu não queria ser forte. Em que eu só queria deitar no colo de alguém e saber que vai ficar tudo bem.

Mas eu sei também que, no fim, tudo fica bem. Porque, no fim, eu sou essa força!


domingo, 6 de setembro de 2026

O todo.



Hoje eu tentei dormir, e o sono não veio. Só o que veio foi a vontade de você. Eu fechava os olhos, esperando o sono vir, e via você. A mente acelerada, pensando em todas as possibilidades de te encontrar, te sentir, te amar, e nada parecia te trazer para mim.


Mas você veio. Quase como se sentisse que eu te buscava. Quase como se sentisse a mesma necessidade de estar, de só estar. Porque, mesmo sem dizer, eu sei que percebe a minha ausência ecoando na tua rotina, que era, na verdade, tão nossa.


É tão difícil assim ver que só alguém inteira pode querer o todo? Não me interessam partes de ti. Não me interessa a luz sem as sombras. Eu quero quem tu és. E quem tu és me és amor.





 

sábado, 5 de setembro de 2026

Sapatos de uma tonelada.

 São três da manhã e eu não consigo dormir.


Eu devia estar seguindo em frente, e estou parada aqui, às três da manhã, sem conseguir seguir. Presa ao passado como quem calça sapatos de uma tonelada. Eu pensei que estava indo, ainda que a contragosto. Achei que estava indo, eu juro!


Música e meu vinho favorito embalaram minha noite, com conversas sem fim enquanto meu pé era massageado. Com um riso tão fácil quanto o papo, quanto o encaixe do beijo. Nem sei dizer se foi o tempo que passou ou se paramos no tempo. Quanta conversa cabe em uma sexta-feira à noite?


E, na solidão do carro, no caminho de volta para casa, você me atravessa. Como tem sido nas últimas semanas: sem a menor gentileza de avisar. Vem rasgando o peito, lembrando que não era teu cheiro, teu toque, teu beijo. Que não eram tuas mãos no meu cabelo, tua voz chamando meu nome, me dizendo que sou tua.


Tão minha e, ainda assim, sua.


E talvez essa seja a verdade mais dolorosa sobre seguir em frente: a gente não deixa alguém para trás de uma vez. A gente vai deixando aos poucos. Um beijo de cada vez. Uma noite de cada vez. Um caminho solitário de volta para casa, de cada vez.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Eu sou amor.

 Eu estou deitada na varanda, observando a noite, quando percebo uma tempestade se achegando. E até isso me faz lembrar dele. Ele que costumava ser a minha calmaria no meio do furacão. E, enquanto a tempestade se achega, me dou conta de que a depressão, uma velha conhecida, me levou mais um amor.

Não, eles não morreram. O que morreu foram os sonhos de uma vida juntos. Levados, arrastados contra a própria vontade por quem faz acreditar que são demasiado pequenos diante da felicidade. A depressão acovarda, e o amor é para os valentes. Me parece que ela faz fugir não por não amar, mas por medo de encarar seus próprios monstros.

Mas não vou gastar minhas linhas sobre quem não quis mais me ter. E essa é a diferença entre essas duas histórias. A versão de 15 anos atrás sofreu, despedaçou-se, perdeu o rumo de quem era e para onde ia, numa espera quase sem fim. A vida, por anos, foi esperá-lo voltar, sendo que quem tinha se perdido era eu.

Hoje, pouco tempo tive para pensar. A tristeza se entranha em momentos perdidos no alvoroço do dia e logo se vai, esmagada pelo peso da vida adulta. É como se meu corpo reconhecesse a dor, e a maturidade que os anos trouxeram me lembrasse, quase que imediatamente, que ela passa.

Que essa dor, ainda que espremida no turbilhão da minha rotina, uma hora há de ser apenas um resquício de uma lembrança distante. E que o luto dos planos não realizados dará lugar a outro cheiro, outro toque, outra voz e a outra oportunidade de compartilhar a vida com quem está disposto a ficar e, de fato, compartilhar o caos da vida.

E não é que, dessa vez, o amor seja pequeno, ou que encontrar partes dele espalhadas pela casa não me abra feridas outrora esquecidas. Não é sobre deixar a porta aberta ou fugir. É que, dessa vez, é sobre mim, sobre quem eu sei que sou. Eu vou sempre escolher ser quem ama, porque, de tudo que sou, eu sou amor.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Se sabes

Das ironias da vida, tu que constróis muros,

fizeste-me um castelo, puseste-me na torre mais alta.

Ensinaste-me que o amor tem que ser sonoro

e, aos poucos, parece construir muros entre nós.


Se te recolhes ou me afastas, tão pouco sei.

A distância ecoa quando nossos corpos se tocam,

como se partes de ti lutassem para permanecer,

enquanto outras vagueiam no caos, ao longe.


Onde habito em meio ao teu tormento?

Sou tua calmaria ou o tumulto do teu ser?

E, nas sombras, desejo ser teu acalento.

Se sabes esse amor receber.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Morada

O mesmo lugar, as mesmas luzes brilhando lá fora. Dois dias distintos, dois sentimentos tão ambíguos e com nomes tão parecidos.

Ontem, a paz gritava; o sentimento de conquista e de estar de volta onde me sinto pertencente me dominava. A casa vazia sussurrava minhas conquistas ao longo do caminho. O sofá afagava minha pele e me contava que, no fim do dia, eu tinha a mim mesma, e bastava. O passado me dava força para enfrentar o incerto, me lembrava que sou capaz e de tudo o que já conquistei até aqui. A solitude é fortaleza da mente sã.

Hoje, o medo entrou sem fazer barulho. Lentamente, instalou-se. As luzes da cidade perderam um pouco do brilho. O silêncio da mesma casa vazia perturbou-me e ecoou incertezas sobre quem sou depois de uma vida inteira fora, tentando me encontrar. O mesmo sofá que me afagava agora não me acolhe, não me reconhece, não me conforta. Lembra-me das minhas faltas e de um caminho por muito tempo trilhado só. A solidão é onde a derrota da mente doente mora.

O mesmo lugar, as mesmas luzes brilhando lá fora. Dois dias distintos, dois sentimentos tão ambíguos e com nomes tão parecidos. Eu sou morada de todos eles.

Navegar-me, vasculhar-me. Olhar nos olhos dos meus monstros e reconhecer que neles moram partes de quem fui, de quem sou. E, provavelmente, de quem irei ser. Aceitar que, para ser heroína de mim mesma, sou um universo que carrega dias de fortaleza e dias de dor, e que meus quadros quebrados ocupam a mesma casa que meus vasos mais floridos.

terça-feira, 14 de julho de 2026

Mais que paixão

Hoje não te trago poesia. Não tem estrutura nem palavras alinhadas; talvez, sim, um pouco de rima. Afinal, a música em mim vibra em euforia quando palavras viram melodia. Simplesmente não consigo evitar. É mais forte que eu.

Mais fortes que eu também são as palavras que carrego às custas da paixão. Palavras que ferozmente são lançadas num canhão de emoções latentes e que explodem quando descobrimos que a paixão se move em uma via de mão dupla. Elas fogem do controle, escapam da boca nas trocas de olhares mais sutis ou ao breve toque de nossos corpos. E também em momentos sem significado de uma rotina de trabalho, onde a memória grita o seu nome.

É como se todo o meu ser, guiado pela orquestração hormonal que compõe a droga que ofusca a razão, quisesse mostrar que te quero e que sou sua por completo.

Mas veja bem, meu bem, minhas palavras não são efêmeras, não são leves e não voam como penas. A paixão acende, mas é o amor que faz queimar. E eu? Sou calor, sou fogo consumidor. Não tem meio: ou aqueço ou apago. Ou brilha a chama de quem sou, ou nem aqui estou.

Minhas palavras não se vão junto com a paixão. O calor do meu amor transborda em verso, prosa e poesia por onde quer que eu vá. Eu não engulo palavras, não raciono declarações bobas de amor às 3 da tarde de uma terça qualquer. E cuido com afeto para que as palavras não me deixem, porque, quando elas se vão, fica um vão. E eu sou imensidão.


sexta-feira, 12 de junho de 2026

Depois

 Inúmeras juras de amor, outrora ditas,

Os frutos desse amor, enfim, já colhidos.

Tendo toda uma vida antes já vivida,

Nenhum instante desse tempo foi perdido.


O antes fincou as raízes do teu ser,

Te fez tão teu para que fosses meu.

Transbordou as palavras do meu querer,

No passado, nosso encontro se escreveu.


E talvez daí venha toda essa certeza:

Que o que por ti tenho é amor antigo.

O peso que carrega a alma há de virar leveza,

E então podermos ser um do outro abrigo.


Foi o antes que nos trouxe até o agora,

Costurando, feito retalhos, nossas histórias,

Ladrilhando nossos caminhos ao depois.

domingo, 24 de maio de 2026

Muros de aço.

Da solidão que me criou

No vazio, minh’alma ecoou.

De tanto querer pertencer,

Acabei por me perder.


Na ausência dos outros, me perdi.

Me encaixar. Me moldar. Fingi.

Fingi ser forte, sagaz, capaz.

Abracei a mentira em busca de paz.


Sou mesmo forte?

Ou foi tudo pura sorte?

Parece que a solidão ecoa mais alto

Quando a casa tem muros de aço.