quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Eu me achava forte.

Eu me achava forte.
Tinha uma armadura reluzente,
que me protegia da tristeza.
Eu me achava forte.
Tinha uma armadura de ferro,
que me protegia da vulnerabilidade.
Eu me achava forte.
Tinha uma armadura resistente,
 que me protegia da dor.

A armadura me trouxe solidão.
Mas tudo bem, eu me achava forte.

Olhei-me no espelho.
Não me reconheci.
Não sabia quem eu era.
Olhei-me no espelho.
Só tinha armadura ali?
Cadê a pele?
O calor de estar vivo?

Não estava tudo bem.
Já não me achava tão forte.

Retirei a armadura.
Quem é essa no espelho?
De onde veio tanta ferida?
De onde veio tanta dor?
E essa mágoa e tristeza, quem colocou aqui?
Eu não era forte.

A armadura virou amargura.
Revelou um corpo doente.
Frágil.
Não se cura o que não sente.
Não se cura o que não se vê.
Preciso me conhecer e entender quem sou.
Atrás de todo ferro, no fim, tinha ali um coração.

Amar cura.


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