Gostou de algo no Blog?

Dê os créditos, todos os textos possuem o autor do mesmo no fim da postagem, os que não possuem são de minha autoria.
Não deixe de citar o autor. Diga não ao plágio.

sábado, 5 de setembro de 2026

Sapatos de uma tonelada.

 São três da manhã e eu não consigo dormir.


Eu devia estar seguindo em frente, e estou parada aqui, às três da manhã, sem conseguir seguir. Presa ao passado como quem calça sapatos de uma tonelada. Eu pensei que estava indo, ainda que a contragosto. Achei que estava indo, eu juro!


Música e meu vinho favorito embalaram minha noite, com conversas sem fim enquanto meu pé era massageado. Com um riso tão fácil quanto o papo, quanto o encaixe do beijo. Nem sei dizer se foi o tempo que passou ou se paramos no tempo. Quanta conversa cabe em uma sexta-feira à noite?


E, na solidão do carro, no caminho de volta para casa, você me atravessa. Como tem sido nas últimas semanas: sem a menor gentileza de avisar. Vem rasgando o peito, lembrando que não era teu cheiro, teu toque, teu beijo. Que não eram tuas mãos no meu cabelo, tua voz chamando meu nome, me dizendo que sou tua.


Tão minha e, ainda assim, sua.


E talvez essa seja a verdade mais dolorosa sobre seguir em frente: a gente não deixa alguém para trás de uma vez. A gente vai deixando aos poucos. Um beijo de cada vez. Uma noite de cada vez. Um caminho solitário de volta para casa, de cada vez.

Nenhum comentário: