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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Eu sou amor.

 Eu estou deitada na varanda, observando a noite, quando percebo uma tempestade se achegando. E até isso me faz lembrar dele. Ele que costumava ser a minha calmaria no meio do furacão. E, enquanto a tempestade se achega, me dou conta de que a depressão, uma velha conhecida, me levou mais um amor.

Não, eles não morreram. O que morreu foram os sonhos de uma vida juntos. Levados, arrastados contra a própria vontade por quem faz acreditar que são demasiado pequenos diante da felicidade. A depressão acovarda, e o amor é para os valentes. Me parece que ela faz fugir não por não amar, mas por medo de encarar seus próprios monstros.

Mas não vou gastar minhas linhas sobre quem não quis mais me ter. E essa é a diferença entre essas duas histórias. A versão de 15 anos atrás sofreu, despedaçou-se, perdeu o rumo de quem era e para onde ia, numa espera quase sem fim. A vida, por anos, foi esperá-lo voltar, sendo que quem tinha se perdido era eu.

Hoje, pouco tempo tive para pensar. A tristeza se entranha em momentos perdidos no alvoroço do dia e logo se vai, esmagada pelo peso da vida adulta. É como se meu corpo reconhecesse a dor, e a maturidade que os anos trouxeram me lembrasse, quase que imediatamente, que ela passa.

Que essa dor, ainda que espremida no turbilhão da minha rotina, uma hora há de ser apenas um resquício de uma lembrança distante. E que o luto dos planos não realizados dará lugar a outro cheiro, outro toque, outra voz e a outra oportunidade de compartilhar a vida com quem está disposto a ficar e, de fato, compartilhar o caos da vida.

E não é que, dessa vez, o amor seja pequeno, ou que encontrar partes dele espalhadas pela casa não me abra feridas outrora esquecidas. Não é sobre deixar a porta aberta ou fugir. É que, dessa vez, é sobre mim, sobre quem eu sei que sou. Eu vou sempre escolher ser quem ama, porque, de tudo que sou, eu sou amor.


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