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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Escrevo amor

Eu escrevo como gostaria de ser amada.
Troco o sujeito para disfarçar meus anseios.
Crio como quem pede ao universo
que realize um desejo.

Meu coração intenso quer viver tudo o que escrevo.
Dos contos criados sem compromisso com a realidade
aos meus quase amores espalhados pela escrita.
Amar em queda livre, hoje, define minha vida.

Quantas vezes vi o amor de relance.
Quantas vezes, em prosa ou poesia,
eternizei alguém irrelevante.
Mas hoje sigo sem medo, curada do “e se”,
que já foi algoz do meu aconchego.

Encontro a calmaria no olho do meu furacão,
permito-me viver toda a minha imensidão
e dou vazão às águas do meu sentir.
Porque sobrevivi a tudo o que me trouxe até aqui
e ser amor ainda é minha maneira de existir.
De tudo o que vivi, de amor não morri.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Me fala, cara


Eu gosto de quem fala na cara

Despeja amor, raiva… tara

Não se esconde em meias palavras

Coisa fina, joia rara.


Não precisa de verso, de rima

Precisa de verdade e coragem

De bancar o próprio coração

De viver sem perder a viagem


Às vezes falar sem pensar é bom

Deixar fluir o que tem no coração

E se não for, a gente segue adiante

Amor não se guarda em estante


Não precisa de verso perfeito

Me sussurra e já me dou por satisfeito

E se por ventura do amor tens medo

Por favor, não me guarde como segredo


Me olho no olho, me faz sorrir

Porque da vida tenho urgência

Não sei como jogar, nem fingir

Eu vim pra essa vida foi pra sentir

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Sei lá, meu bem


Sei lá, meu bem

Gosto do cheiro que tem

A presença de quem

Sabe sentir também


Sentir o fogo do olhar

O arrepio do tocar

A falta de ar

Que a tua boca me dá


O corpo sua inteiro

Perdido num olhar faceiro

A poesia volta ligeiro

Que bom ser brasileiro


Do frio da carência

Ao desejo de urgência

A poesia é evidência

Sou só presença


Dúvidas chegam ao fim

Há vida nesse jardim

Voltei pra mim

Enfim.




[Eita que precisa de terapia, essa menina.]

Não Espera

Inquieta o silêncio da espera
A falta de resposta, de certeza
E na certeza, a vontade de viver
Viver tudo de uma vez

Ou se tropeça, e embaraça o caminho
Ou se para, e desiste de se percorrer
Mas se incompleta por se perder
No tempo da espera

De esperar criei raiz,
Mas já quis voar também
Pra longe do desdém do tempo
Que dizem por aí que é bento


*Escrito em Dezembro de 2015, perdido aqui nos rascunhos.

Perguntas que vagueiam.

E, de repente, uma urgência em escrever.

Como se as palavras que outrora dormiam tivessem despertado ao simples toque dos seus lábios na minha nuca.

Veja bem, meu bem, não estou falando de amor, tampouco de paixão. Falo da urgência do desejo que se apagou no que pensei ser a calmaria de um amor verdadeiro.

Milhões de perguntas invadiram a minha mente junto ao encontro dos nossos corpos quentes.

Eu me convenci de que a solidão a dois era mar sereno? Ou, por falta de afeto no início do meu caminho, não entendi que amor não se vive sozinho?

Poucas palavras se tornaram meu cotidiano. Logo eu, que mergulhava na profundidade do que sentia e de tudo escrevia. Às vezes em prosa e verso, às vezes despejando meu coração totalmente sem nexo.

Onde foi que tudo se perdeu? Como eu, que demorei tanto para me amar, aceitei por tanto tempo no raso nadar?

Ah, a presença… o estar por completo. Em que momento o raso se tornou meu concreto?

E como posso assim me expor, se por tanto tempo meu mundo sem poesia ficou?

Talvez o medo da solidão tenha me feito viver nessa passividade de sentimentos.

Sentir demais me sufocava, e agora sentir pouco me adormece a alma.

É possível se encontrar no meio? Sentir sem sufocar-se, permitir-se sem receios.

Quantas perguntas vagueiam na mente de quem se julgava inteiro.


[Tirando a poeira depois de quase 11 anos sem postar/escrever]

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Olhar.



Só de lembrar do teu olhar
 já me falta o ar.
 Quando você me olha, 
 não sei dizer o que acontece,
o resto desaparece.

Seriam assim os olhos de ressaca?
Vontade de sair em disparada.
 Ou quem sabe, de me entregar.
Você não só me traga, 
com os olhos me afaga.

Faz meu corpo vibrar, 
e o coração acelerar.
Até a rima vai embora.
As palavras se perdem
e teu amor me pedem.

Teu olhar, me carrega feito mar. 
Desaprendi a nadar.
Esse teu mar é revolto.
Preciso de calmaria,
devagarzinho todo dia.



Foto: Natália Pitkowski
Modelo: Lívia Lacerda
Texto: Natália Pitkowski 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Nômade.


Ela diz que é sempre pontual. Justo pra mim, ela chegou na hora errada.
Não sei se cedo demais, porque ainda não estou pronto. Ou se tarde demais, às vezes acho que não tenho mais jeito.
Jeito. Ela me deixou sem.
Os cabelos cacheados, os olhos verdes, a pele branca e o sorriso que me fez gelar por dentro.
Gelo. Ela quebrou o meu.
“Ah, pequena, meu coração gelado se aqueceu nas tuas coxas de moça.” – Penso quando lembro.
Moraria ali, no quente do seu corpo, respirando o cheiro do seu cabelo e me alimentando do gosto do seu beijo.
Morada. Não faço.
Sou nômade, vagueio noutros corpos macios que encontro pela noite que me engole vazia. Mas se fosse para parar, pararia nela.
Ela e suas coxas de moça bela.





Foto: Natália Pitkowski
Modelo: Aléxia Cartaxo
Texto: Natália Pitkowski




terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Além dos reflexos

Sempre gostei de me olhar no espelho
Até o dia que mergulhei nele
E perguntei: quem é você?
Não soube responder

O nosso reflexo nem sempre diz quem somos
É preciso vasculhar
Olhar tão dentro assim
É chegar à beira de um abismo

É assustador o que não se conhece de si
É libertador conhecer essa outra parte
Desafiar-se a saber quem se é
Além dos reflexos





Modelo: Aléxia Cartaxo
Foto: Renata Rossini
Texto: Natália Pitkowski

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Eu me achava forte.

Eu me achava forte.
Tinha uma armadura reluzente,
que me protegia da tristeza.
Eu me achava forte.
Tinha uma armadura de ferro,
que me protegia da vulnerabilidade.
Eu me achava forte.
Tinha uma armadura resistente,
 que me protegia da dor.

A armadura me trouxe solidão.
Mas tudo bem, eu me achava forte.

Olhei-me no espelho.
Não me reconheci.
Não sabia quem eu era.
Olhei-me no espelho.
Só tinha armadura ali?
Cadê a pele?
O calor de estar vivo?

Não estava tudo bem.
Já não me achava tão forte.

Retirei a armadura.
Quem é essa no espelho?
De onde veio tanta ferida?
De onde veio tanta dor?
E essa mágoa e tristeza, quem colocou aqui?
Eu não era forte.

A armadura virou amargura.
Revelou um corpo doente.
Frágil.
Não se cura o que não sente.
Não se cura o que não se vê.
Preciso me conhecer e entender quem sou.
Atrás de todo ferro, no fim, tinha ali um coração.

Amar cura.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Me salva.

Mas é que eu não sei o que é isso de amor, pequena. 
Não sei isso de cuidar, de te embalar quando seu coração partir, de pensar em você e em como te fazer feliz. Não sei pensar eu ti como alguém que tenho que cuidar.   
Eu vivo só, pequena. Tenho meu mundo onde sempre coube só eu, meus medos, traumas, tristeza e algumas poucas alegrias que tive. Meu mundo é pequeno, meio vazio do bom. Não sei colocar pra fora o que me fere e isso acaba ocupando o lugar do que me faria sorrir. Como você. Sentir teu cheiro, te sentir adormecer nos meus braços, passar a mão sobre a sua pele quente e macia. Te ter pra sempre me faria sorrir. Mas eu preciso saber como fazer isso funcionar. Sabe pequena, quando não se tem uma coisa, você não sabe como usá-la. Eu não sei como te amar, isso levaria um tempo. Você me espera?
Me tira daqui, pequena. Me salva. 
Eu vou te contar um segredo, eu não sou esse cara forte, cheio de si, auto-suficiente que não se importa com ninguém, só com o próprio ego. 
Talvez seja um pouco isso sim, mas depois de você eu ando querendo ser alguém melhor.